Taxibikes

Estive na cidade de Lille, França, no mês de Setembro, participando como conferencista no IEEE-Vehicular Power and Propulsion Conference (VPPC  2010), onde apresentei meu trabalho de mestrado focado em sistemas de controle de acionamento para rodas elétricas em veículos híbridos e fiquei bastante impressionado não somente com os trabalhos apresentados no congresso mas com a maneira como a comunidade científica daquele país leva a sério tanto as pesquisas envolvendo veículos elétricos como a sua implementação nos diversos segmentos da sociedade.

Realçando a preocupação com as questões ambientais, o slogan do VPPC 2010 foi “Carbon Care”. Logo na chegada a cerimônia de abertura do evento, foi apresentada a transportadora oficial da conferência: taxibikes. Cada conferencista poderia usufruir dos taxibikes nos translados entre o Lille Grand Pallai (centro de convenções onde se realizou o evento), o centro da cidade e os hotéis.

Os taxibikes são triciclos híbridos de dois lugares (em tândem), tracionados por um condutor e por um sistema de elétrico auxiliar que pode ser solicitado mediante comandos do condutor. Isso significa que o condutor poderá fazer uso do sistema eletrico (sempre em conjunto com o sistema de tração humana) caso haja dificuldade em “pedalar” o veículo dependendo do grau de dificuldade imposto pelo terreno.

Quando o condutor do taxibike tem condições de “tocar” o veículo com a própria força de tração (pedais), um sistema de recuperação de energia (Kinetic Energy Recovery System) entra em ação para converter parte da energia humana em energia elétrica, armazenando-a em um acumulador que alimenta tanto os sistemas de faróis e buzina quanto o motor elétrico do sistema de tração auxiliar.

O grande ponto negativo deste tipo de veículo é o seu preço. Uma unidade custa em torno de € 6.000,00 (seis mil Euros), o que torna bastante dificultoso o seu mercado uma vez que veículos a combustão convencionais ainda são mais atrativos do ponto de vista de rendimento e performance. Além do fato de que os veículos de passeio populares convencionais na Europa custem o equivalente ao valor do taxibike, possuem velocidade de cruzeiro maiores (taxibikes têm velocidades máximas em torno de 30 Km/h), não precisam de consideráveis tempos de recarga, possuem um payload maior (5 pessoas), dentre outras.

Entretanto, no exemplo de Lille, os taxibikes são um elemento integrado à paisagem urbana local. São vistos frequentemente carregando turistas pela cidade. A própria baixa velocidade do veículo proporciona um melhor tour pelas ruas e vielas da cidade, permitindo uma agradável sensação de bem-estar e integração com a atmosfera convidativa daquela região francesa.

A pergunta que fica em minha cabeça é: meio a correria e o estresse crescente nas vias urbanas, não seria válida uma reflexão sobre como podemos aproveitar melhor os sistemas de transporte visando, principalmente, a saúde mental e a integridade emocional dos  cidadãos? Será mesmo tão imprescindível levar 10 minutos para se chegar ao trabalho, ou não seria interessante levar 20 minutos com um pouco mais de qualidade de vida e um menor nível de estresse? Fica aqui a sugestão.

Sobre Eng. Rafael Coronel Bueno Sampaio, PhD.

Projeto & Pesquisa de Sistemas Mecatrônicos e Robótica Móvel
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